Visita técnica ao Museu Mineiro

 


Durante a visita ao Museu Mineiro ouvi a frase ¨O museu é um espaço de memória de poder e poder da memória ¨ e acho que o Museu Mineiro retrata exatamente esta disputa entre o esquecimento e  a memória , ou seja , o que se tenta silenciar   e o que  se busca preservar . Podemos observar esta questão no que está representado através de suas obras  impressionistas que estão  em exposição em  quatro  salas .

A Sala das Colunas , possui artes sacras do século XVIII e início do século XIX e foi projetada através de coleções do engenheiro Geraldo Parreiras que percorria antigas fazendas reunindo peças como imagens,pratarias e oratórias , exemplares eruditos e populares com estilos Rococó formado por peças mais finas e elegante com presença de conchas e tons suaves e o  Barroco traz peças mais carregadas no entalhamento e tons vermelhos . Todos estes objetos coletados inseridos nas coleções  perderam a sua funcionalidade e ganharam um importante valor documental e histórico.

O acervo desta sala  possui também peças que, pelas suas características ,são  atribuídas a Aleijadinho .

Na Sala do Colecionador ,com peças que também pertenceram  a Geraldo Parreiras , temos a imagem de São Miguel de Arcanjo , esculpida em madeira policromada  e revestida  em ouro e seis pinturas atribuídas ao Mestre Ataíde.

Analisando todas as obras adquiridas por Geraldo Parreiras  e pelo valor do acervo , é evidente o ¨status¨ e poder atribuído na época ao  colecionador em sua aquisição .

A Sala do Arquivo Público Mineiro conta um pouco da história de Minas Gerais . Estas coleções, por seu valor histórico ,estão sujeitas a uma proteção especial em local fechado ,preparado para este fim , catalogadas  e expostas ao olhar do público.

No acervo está presente a primeira pá utilizada na construção da cidade e também a presença da única  pintura retratando a imagem de Aleijadinho que se tem notícias na história .

Na Sala da Pinacoteca do Museu Mineiro , o que mais me chamou atenção foi a obra ̈A má notícia ¨de Belmiro de Almeida morador de  Ouro Preto  . Ela foi adquirida pelo governo em 1897 e nela está retratada a imagem de uma mulher em desespero após receber uma má notícia em uma carta de tarja preta,  indicativo de morte . Por este motivo, a obra é associada a mau presságio e retrata na opinião de alguns a morte de Ouro Preto com o  nascimento da nova capital Belo Horizonte. .

Todas estas coleções , que em um dado momento representavam o status e poder para seus colecionadores , hoje em exposições nos museus ,estes objetos são a memória de um passado , uma ressignificação no presente e uma perspectiva de mudanças para gerações futuras.

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